Se o teu fornecedor de IA desligar amanhã, consegues mudar?
O episódio analisa a soberania em inteligência artificial (IA) como capacidade de mudar de fornecedor sem recomeçar do zero. Explica os limites dos modelos de pesos abertos, compara modelos em tarefas reais e mostra como a Uber criou testes próprios para reduzir a dependência. No fim, deixa medidas práticas para preparar uma alternativa.
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Se o teu fornecedor de IA desligar amanhã, consegues mudar?
// A ideia
Soberania é conseguir mudar de fornecedor
Um modelo usado através de um fornecedor é uma capacidade alugada. Pode desaparecer ou regressar com outras regras. Ter pesos abertos cria opções, mas não elimina custos nem dependências. O controlo está na capacidade de testar alternativas, levar o trabalho para outra solução e continuar a operar.
Em números
Tempo entre o lançamento do Fable 5 e o seu desligamento para todos os clientes, em junho de 2026. A Anthropic comunicou o bloqueio.
ConfirmadoLimite máximo do uso semanal do Fable 5 nos planos de subscrição durante a primeira semana após o regresso. O valor foi noticiado pelo The Next Web.
Fonte independenteTarefas reais de finanças, recursos humanos, vendas e apoio ao cliente usadas no teste partilhado pelo presidente executivo da Zapier.
DeclaradoResultado aproximado e custo por tarefa do Gemini 3.6 Flash no teste partilhado pelo presidente executivo da Zapier. Foi o melhor dos três modelos comparados.
DeclaradoAumento do número de engenheiros da Uber que usavam semanalmente as ferramentas de IA entre fevereiro e agosto de 2026. O resultado foi publicado pela Department of Product.
Fonte independenteCusto de cada sessão de trabalho da Uber face ao pico de junho de 2026. Segundo a Department of Product, caiu para menos de metade.
Fonte independenteNúmero hipotético de assistentes montados no ChatGPT usado para mostrar o esforço de mudar de fornecedor sem uma exportação simples.
Investimento previsto para centros de dados em Lisboa até 2030. A estimativa vem de um estudo promovido por empresas do setor e divulgado pela AICEP.
DeclaradoO episódio, por partes
O fornecedor carregou no botão
A Anthropic lançou o Fable 5 a 9 de junho. Três dias depois, desligou-o para todos os clientes por ordem do governo dos Estados Unidos. Afek Shamir, investigador da RAND Europe, disse que o episódio mostrou quem tem o botão de desligar e como é fácil carregá-lo.
O acesso regressou com limites
O modelo regressou a 1 de julho, quase três semanas depois. Na primeira semana, só podia usar até metade do limite semanal dos planos de subscrição. Foram introduzidos filtros e alguns pedidos passaram a ser respondidos por um modelo anterior. O governo manteve a possibilidade de voltar a impor a restrição.
Um modelo é capacidade alugada
Com uma alternativa testada, uma empresa poderia mudar e continuar. Sem essa alternativa, ficaria dependente de uma decisão externa. A leitura do Diogo é que um modelo usado através de um fornecedor é uma capacidade alugada. Pode ser retirado ou regressar com regras diferentes.
Os preços também criam dependência
Em setembro, a Anthropic e a OpenAI lançaram modelos mais baratos no mesmo dia, com hora e meia de diferença. Só consegue aproveitar a descida quem pode mudar de modelo sem refazer tudo.
Os modelos mudam sem aviso
A Upstart colocou um bot de voz em chamadas de verificação de pedidos de crédito. Numa palestra, a empresa contou que mudou duas vezes de fornecedor de modelo. Meses depois, o modelo começou a incluir emojis nas respostas sem aviso. Quem não mede pode não detetar estas mudanças.
O trabalho pode ficar preso
Um assistente útil exige instruções, documentos, exemplos e afinação. O episódio usa o exemplo hipotético de uma empresa com 25 assistentes no ChatGPT. Sem uma forma simples de exportar tudo, a mudança de fornecedor pode obrigar a reconstruir cada assistente à mão.
O que são pesos abertos
Num modelo de pesos abertos, o fornecedor publica o modelo treinado para poder ser descarregado. Os pesos são milhares de milhões de números que guardam o que o modelo aprendeu. A empresa pode instalar e adaptar o modelo dentro do que a licença permitir. Pesos abertos não significam código aberto, porque os dados de treino e a receita podem continuar fechados.
A promessa do Mistral Large 4
A Mistral apresentou o Mistral Large 4 como o seu novo modelo principal. Prometeu publicar os pesos até ao fim de outubro de 2026. Se o fizer, uma empresa poderá descarregá-lo e executá-lo nos seus servidores. A Mistral apresenta-o como um modelo criado para a soberania europeia.
Pesos abertos não eliminam dependências
O Mistral Large 4 não corre num computador normal. Precisa de processadores avançados, energia e uma equipa que o mantenha. Foi treinado com processadores da NVIDIA. A licença dos pesos ainda não era conhecida, e instalar o modelo transfere os custos para máquinas, energia, segurança e pessoas.
O maior modelo nem sempre vence
Escolher sempre o maior modelo evita definir os requisitos e testar alternativas. Essa escolha paga-se em cada utilização, porque os modelos maiores tendem a ser mais caros e lentos. Também ficam concentrados nas mãos de poucos fornecedores.
O modelo mais barato venceu
O presidente executivo da Zapier partilhou um teste com 657 tarefas reais. O Gemini 3.6 Flash resolveu cerca de 20% a 0,58 dólares por tarefa. O GPT-5.6 resolveu 18% a cerca de um dólar, e o Fable 5 ficou nos 17% a dois dólares. Nenhum chegou a um quinto das tarefas, mas o modelo mais barato teve o melhor resultado.
A Uber criou exames próprios
A Uber criou um exame com trabalho real para cada ferramenta. Na revisão de código, usa alterações antigas com erros conhecidos. Todos os modelos fazem o mesmo exame nas mesmas condições. A empresa mede erros encontrados, falsos alarmes, custo por revisão e tempo.
Mais utilização sem aumentar a despesa
Segundo a Department of Product, entre fevereiro e agosto o número de engenheiros que usavam semanalmente estas ferramentas multiplicou-se por mais de sete. A despesa total ficou praticamente igual. O custo por sessão caiu para menos de metade do pico de junho.
Substituição é o indicador central
A Uber não precisou de criar um modelo próprio. Criou a capacidade de avaliar cada modelo novo com o seu exame e decidir se muda. Para o Diogo, o melhor indicador de soberania é a capacidade de substituição, não a localização do servidor ou a nacionalidade do fornecedor.
Portugal aposta em infraestrutura
Gonçalo Saraiva Matias falou de uma nuvem soberana e da ambição de Portugal integrar uma gigafábrica europeia de IA. Um estudo divulgado pela AICEP prevê mais de 12 mil milhões de euros de investimento em centros de dados em Lisboa até 2030. A infraestrutura cria opções, mas alojar servidores em Portugal não significa controlar a tecnologia.
Preparar a mudança antes da crise
Antes de contratar, pergunta como o fornecedor comunica mudanças, se permite exportar registos e configurações e o que acontece aos dados se for comprado ou falir. Guarda as instruções e os documentos dos assistentes do teu lado. Cria um exame com casos reais, testa pelo menos duas alternativas e mede qualidade, custo total e esforço de mudança.
Tirando o ruído, fica isto
A verdadeira mudança não vai acontecer quando houver mais modelos disponíveis. Vai acontecer quando as empresas conseguirem trocar de modelo sem recomeçar do zero.▶ 12:26
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Desligado três dias depois do lançamento
No dia 9 de junho a Anthropic, a empresa do Claude lançou o Fable 5, o seu modelo mais avançado. 3 dias depois teve de o desligar, para todos os clientes de um momento para o outro. E não foi uma avaria nem foi uma decisão comercial, foi 1 ordem do governo dos Estados Unidos por razões segurança nacional. O investigador da RAND Europe resumiu o episódio num frase, ficou à vista quem tem o botão desligar e como é fácil carregar nele.
Hoje falamos da soberania e inteligência artificial, é uma palavra que anda nos discursos de governos e de alguns fornecedores. Mas há uma pergunta que a torna útil para qualquer empresa, se o teu fornecedor de IA desligar amanhã, consegues mudar? Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio do IA sem ruído. Eu sou o Diogo e esta é a nossa 2º análise.
Ora, na análise pegamos num tema que anda aí no ar e tiramos-lhe todo o ruído. Perceber o que é que é, o que é que muda e o que é que podemos fazer com isso.
O que aconteceu em junho
Ora, o que aconteceu em junho? Ok? Vamos começar pela história porque ela explica o resto. A 9 de junho a Anthropic lançou o Fable 5.
A 12 de junho recebeu uma diretiva do governo norte-americano, o modelo não podia ser usado por cidadãos estrangeiros dentro ou fora dos Estados Unidos. Para cumprir a ordem, a empresa desligou o modelo para todos os clientes, incluindo os americanos, e disse publicamente que discordava e que se tratava de um mal-entendido. Os modelos anteriores da empresa continuaram todos a funcionar e o acesso voltou a 1 de julho, quase 3 semanas depois. Mas voltou diferente.
Na 1º semana, nos planos de subscrição, o Fable Sing só podia gastar até metade do limite semanal de utilização. E entraram com filtros novos e alguns pedidos feitos ao modelo passaram a ser bloqueados e respondidos por modelo anterior. E o governo deixou claro uma coisa, que pode voltar a impor esta restrição. Agora imagina, que isto acontecia ao modelo em que assenta um processo teu.
Tivesses uma alternativa testada, mudavas e seguias, porque havia outros modelos comparáveis e disponíveis. Se não tivesses, ficavas à espera de uma decisão que não dependia de ti. E a ilação é simples. O modelo que usas através de um fornecedor é uma capacidade alugada.
Pode ser retirada e quando volta pode não voltar com as mesmas regras.
Não é preciso um governo: preços e modelos que mudam
Não é preciso um governo, ok? O caso de junho é um bocado extremista, mas a dependência nota-se em coisas muito mais banais. Os preços mudam. Em setembro, a Anthropic e a OpenAI lançaram no mesmo dia, com uma diferença de hora e meia, modelos bastante mais baratos do que os anteriores.
Falámos disso no 1º episódio. Só aproveita essa descida quem consegue mudar de modelo sem refazer tudo. Os modelos também mudam por dentro, cada versão comporta-se de uma forma ligeiramente diferente. Um exemplo, a UpStart, uma empresa americana de crédito, pôs um bot de voz a fazer parte das chamadas de verificação dos pedidos de crédito.
E contou-me numa palestra, que pelo caminho mudou 2 vezes de fornecedor de modelo. E que passado uns meses, portanto eles já tinham escolhido, passado uns meses, depois do bot estar a funcionar, o modelo começou a pôr imagens no meio das respostas sem nenhum aviso. Ora, a lição cabe num frase, os modelos mudam sem dizer nada, e quem não mede, não dá por isso.
O trabalho que pões nos assistentes
Há 1 3º dependência um bocadinho menos óbvia. Ora, o trabalho que pões nos teus assistentes. Para um assistente de a ser útil, tens de lhe ensinar como é que ele vai trabalhar. Escreves as instruções, dá-lhes os documentos e exemplos, e vais afinando até as respostas ficarem como tu queres.
Isso dá trabalho. Agora, imagina que a tua empresa tem 25 assistentes montados no ChatGPT, cada um com as suas instruções e os seus documentos. Amanhã queres ou precisas de passar para outro fornecedor, consegues levar isso contigo? É que muitas vezes não há forma simples de exportar tudo de um só vez, e acabas por reconstruir cada assistente à mão.
O que são modelos de pesos abertos
Uma das respostas em cima da mesa são os modelos de peso aberto. Mas o que é que é isto ao certo? Então, os modelos como o ChatGPT ou o Cloud só os usas pela internet, o modelo está nos servidores do fornecedor, e tu envias-lhes pedido. Ora, no modelo de peso aberto, o fornecedor publica o próprio modelo já treinado para qualquer pessoa o poder descarregar.
Os pesos são esses ficheiros, milhares de milhões de números que guardam tudo o que o modelo aprendeu. E com eles, podes instalar o modelo nos teus servidores, adaptá-lo e usá-lo sem depender de ninguém, obviamente dentro do que a licença permitir. Mas os pesos abertos, atenção, não são código aberto, Recebes o modelo pronto a usar, mas normalmente não sabes com que dados é que ele foi treinado, nem tens a receita para voltar a fazer. É como se recebesse um programa já instalado e sem o código fonte.
Mistral Large 4 e os dois cuidados
Então, sobre este tema, na semana passada a francesa Mistral, a empresa europeia mais conhecida nesta área, apresentou o Mistral Large 4, o seu novo modelo principal, e prometeu publicar estes pesos até ao fim de outubro. Se o fizer, qualquer empresa o pode descarregar e pôr a correr nos seus servidores. E aí, ao contrário do que aconteceu em junho, ninguém pode desligar à distância. E a Mistral apresenta-o como o modelo criado para a soberania europeia, ok?
Parece a solução perfeita, principalmente para nós europeus, mas há 2 cuidados. O 1º, ter os pesos não é o mesmo que conseguir pôr o modelo a funcionar. O Mistral Large 4 é tão grande que não consegue correr em um computador normal. Precisa de processadores avançados, energia, uma equipa que o mantenha.
Mas atenção, até este modelo europeu foi treinado com processadores da norte-americana NVIDIA. Soberania não é autossuficiência, o objetivo é gerires as dependências e não fingires que elas desaparecem. Então, o 2º, descarregar o modelo é grátis, pô-la trabalhar não é. Quando usas um modelo de fornecedor, pagas conforme o uso e o custo aparece todos os meses na fatura dele.
Quando instalas um modelo aberto nos teus servidores, essa fatura desaparece efetivamente, mas passas a pagar as máquinas, a energia, a segurança e as pessoas que tratam disso. A comparação certa é o custo total das 2 opções como nós vimos no 1º episódio.
Escolher sempre o maior modelo
E há outro hábito que cria esta dependência também, ok? É escolher sempre o maior modelo disponível, para essa solução mais segura. Se é o melhor, não há que falhar. Mas muitas vezes é só uma forma de nós não decidirmos.
Escolher o maior modelo poupa efetivamente o trabalho de definir o que é que a tarefa precisa e testar algumas alternativas, mas essa indecisão vai-se pagar a cada utilização. O modelo maior é mais caro, é mais lento e só existe nas mãos de poucos fornecedores.
O teste da Zapier
E maior nem sempre quer dizer melhor. O presidente executivo da Zapier, uma empresa de automação, partilhou um teste com 657 tarefas reais de finanças, recursos humanos, vendas e apoio ao cliente. Comparou 3 modelos, o Gemini 3.6, flash da Google, o mais barato de todos, resolveu cerca de 20% das tarefas a 58 cêntimos o dólar cada 1. O GPT 5.6 da OpenAI, resolveu 18% a cerca de um dólar.
E o Fable 5 da Antropic ficou nos 17 por 100 a 2 dólares por tarefa. Os 2 mais caros estavam no modo máximo de raciocínio. E é um teste difícil e efetivamente nenhum conseguiu chegar a 1 5º das tarefas, mas o mais barato foi o que se deu melhor. Por isso a regra mais sensata é usares o modelo mais pequeno que faça a tarefa com qualidade, segurança e um custo sustentável.
Como a Uber escolhe os modelos
Agora, como é que fazemos isto na prática? É aqui que entra a Uber. Então, este ano a Uber incentivou os seus engenheiros a usar o máximo possível as ferramentas de IA para escrever e rever o código. A adesão foi tanta que o diretor de tecnologia acabou por admitir que em março já tinham esgotado o orçamento de IA.
Mas a Uber não quis colocar aqui um travão nisto. Ora, queria ainda mais engenheiros a usar, IA, mas também não queria pagar a conta. Por isso, o que é que eles fizeram? Mudou a forma de escolher os modelos.
1º, a Uber criou um exame para cada ferramenta, feito com trabalho real. Ora, na ferramenta que revê código, o exame são alterações de código antigas, que eles já sabiam o que é que estava errado, portanto, corrigir umas mais fáceis, outras médias, outras mais difíceis. Depois montou uma espécie de bancada de testes, onde qualquer modelo pode ser ligado e fazer exatamente o mesmo exame, nas mesmas condições. Para cada modelo, mede-se se encontra os erros verdadeiros, quantos falsos alarmes dá e quanto custa cada revisão e quanto tempo demora.
A regra é simples, se o modelo mais barato tem o mesmo resultado, passa a ser esse o modelo usado. Nas tarefas pequenas e bem definidas, o Uber passou mesmo a usar modelos mais baratos por defeito. E diz que isto foi uma das mudanças que mais fizeram poupar dinheiro. Ao mesmo tempo, tomou outras medidas, ora passou em enviar menos texto ao modelo em cada pedido, e pôs cada engenheiro a ver em real time quanto é que ele está a gastar.
O resultado, segundo a newsletter do departamento of product, entre fevereiro a agosto, o número de engenheiros a usar estas ferramentas todas as semanas multiplicou-se por mais de 7, e a despesa total ficou praticamente igual.
O melhor indicador de soberania
Agora repara no que é que isto quer dizer para o nosso tema. Para isto a Uber não precisou de ter o seu modelo, e mesmo assim, tem nas mãos uma coisa que muitas empresas não têm. Quando sai um modelo novo ou um fornecedor muda o preço, consegue testá-los no seu próprio exame e decidir se troca ou não se troca. Quem decide é o Uber, não é o fornecedor.
E é por isso que para mim, o melhor indicador de soberania de uma empresa não é a localização do servidor nem a nacionalidade do fornecedor, é a capacidade de substituição. Tens controlo quando consegues fazer pelo menos 3 coisas. Testar o modelo de forma independente, perceber quando é que ele mudou levar os teus dados e os teus testes para outra solução e continuar a trabalhar se o contrato acabar.
Portugal: nuvem soberana e centros de dados
Agora, em Portugal, o que é que podemos analisar e perceber o que é que está a acontecer em Portugal? Então, a palavra soberania também entrou no nosso discurso. Na semana passada, o ministro-adjunto de da reforma do estado, Gonçalo Saraiva Matias, esteve num fórum em Lisboa, falou de um nuvem soberana para manter os dados e os serviços em ambientes seguros, mas falou também da ambição de Portugal integrar uma giga fábrica europeia de inteligência artificial, ou seja, um grande centro de computação para treinar modelos.
E disse que, a questão é saber se Portugal vai produzir valor com esta tecnologia ou limitar-se a consumi-la. Ao mesmo tempo, a AICEP, divulgou um estudo promovido por empresas do setor que coloca Lisboa, como Madrid e Barcelona, num polivérico de centros de dados. Só em Lisboa este estudo prevê mais de 12000 milhões de euros investidos até 2030. Ora, a infraestrutura é importante e cria mais opções, mas alojar servidores em Portugal não é o mesmo que controlar a tecnologia.
Um centro de dados em Lisboa pode correr chips americanos e modelos geridos a partir de outro país. A proximidade ajuda, mas não resolve sozinha a tua dependência.
O que podes fazer já
Então, o que é que podemos fazer já? Antes de assinares um contrato faz 3 perguntas. Como é que o fornecedor te avisa quando muda ou retira 1 modelo? Consegues exportar os registos e as tuas configurações?
E o que acontece aos teus dados se o fornecedor for comprado ou falir? Depois, não aproves e esquece das coisas. Portanto, termos mudam, por isso vale a pena de vez em quando ires rever o contrato e perceber os termos que estão lá escritos. Agora, a seguir, guarda do teu lado o que já ensinaste aos teus assistentes.
As instruções, os documentos que eles usam, é isto que te permite levar o trabalho para o outro lado se assim precisares. E faz como a Uber, em ponto pequenito, se calhar. Escolhe um processo real e cria um exame com casos que já conheces. Põe pelo menos 2 alternativas a fazê-lo e mede a qualidade, o custo total e o esforço de trocar.
Se mudar o modelo te obrigar a reconstruir a aplicação toda, bad news my friend, tens uma dependência criada.
Fecho
Então, os modelos de peso aberto dão mais opções às empresas e isso é valioso, mas não trazem soberania instantânea, nem acabam com os fornecedores custos ou riscos. Nas próximas semanas vale a pena ver se a Mistral publica mesmo estes pesos, e com que licença. E perceber porque a verdadeira mudança não vai acontecer quando houver mais modelos disponíveis, vai acontecer quando as empresas conseguirem trocar estes modelos sem recomeçar do 0. Obrigado por teres ouvido, até ao próximo episódio.
Fontes
- Anthropic, comunicado sobre o acesso ao Fable 5sem ligação pública
- RAND Europe, Afek Shamir, AI Frontiers, 19 de junho de 2026sem ligação pública
- The Next Web, regresso do acesso ao Fable 5sem ligação pública
- The Algorithmic Bridge, novas restrições do Fable 5, 1 de julho de 2026sem ligação pública
- The AI Break, descida dos preços dos modelos, 24 de setembro de 2026sem ligação pública
- Upstart, palestra sobre o bot de verificação de crédito, 2025sem ligação pública
- Mistral, apresentação do Mistral Large 4, 6 de outubro de 2026sem ligação pública
- The Deep View, Mistral Large 4sem ligação pública
- Department of Product, teste da Zapier e caso da Uber, 8 de setembro de 2026sem ligação pública
- SAPO, Accelerator Forum Lisbon, 9 de outubro de 2026sem ligação pública
- AICEP, estudo do Dstream Group e da DE-CIX, 6 de outubro de 2026sem ligação pública
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